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02/04/2014 - Entrevista com Irmã Rosmari
 
Irmã Irene Novak realizou uma entrevista com Irmã Rosmari Cortina, que celebra seu jubileu de prata de vida religiosa consagrada, 25 anos de vida dedicada ao projeto do Reino.

Ir. Irene: Vamos começar com uma frase que motiva a sua vida.
Ir. Rosmari: “Senhor, minha parte na herança e minha taça. És Tu que garantes o meu destino”! (Sl 15,5). Esta frase me motiva todos os dias a recomeçar e dar uma resposta ao Senhor, confiar n’Ele e ser agradecida por tantas maravilhas que realiza na minha vida.

Ir. Irene: Como foi o seu despertar vocacional?
Ir. Rosmari: Deus tem a iniciativa de chamar a pessoa, contudo, há sempre a liberdade da resposta. O chamado de Deus não se dá a partir das nossas qualidades humanas, mas do projeto de discipulado missionário que Ele tem para a pessoa. Ser vocacionada é percorrer o caminho escolhido por Deus para cada um de nós, o qual nos permite ser plenamente felizes. Como descobri esse caminho, essa vocação?
A “direção” foi posta no meu coração por Deus. Ele tem planos de felicidade para nós. (cf. Jeremias 29,11). Então, falando do meu despertar vocacional é preciso lembrar primeiramente da iniciativa de Deus, é Ele quem nos chama, escolhe e elege. E eu fui percebendo este chamado inicialmente na minha família, pois foi neste espaço que aprendi os primeiros fundamentos da fé. Desde criança ia sentindo dentro de mim alegria com o que se referia a Deus, à Igreja e à vivência da espiritualidade. Queria viver mais intensamente essa experiência interior que me animava. E Deus foi me falando em muitos momentos… na catequese, na participação da Eucaristia, no desejo que sentia de conhecer mais Deus. E, assim, Deus foi preparando a minha vida e o meu coração para que eu dissesse o “sim” ao chamado.

Ir. Irene: Quais os desafios do chamado?
Ir. Rosmari: Deus se dirige à pessoa e a convida e esta é livre, pode responder positivamente ou recusar o chamado. Ao responder ao chamado de Deus, a pessoa toma consciência de que vai entrar em conflito com as exigências do mundo. Quando Deus chama alguém é para dispor dele inteiramente, de sorte que ela já não é dona de si. E, Deus confia a esta pessoa uma missão concreta. A exigência deste chamado é seguir o estilo de vida de Cristo: abraçar, a cada instante, a sua vida e entregar-se, por inteiro, com amor.
O chamado é gratuito e a resposta é empenho de quem responde preparando-se através da formação continuada para anunciar a presença do Reino e servir a Ele. Deus não chama para acomodar a pessoa em seus projetos pessoais, mas para uma grande missão. Por conseguinte, a pessoa chamada é exclusiva d’Ele, para ser presença profética no mundo. Não se trata de um privilégio, embora nos cause alegria, mas de uma missão transformadora.
O grande desafio é viver não para mim mesma, e, sim, para Deus. É viver totalmente dedicada a Deus e ao seu projeto, é também ser fiel e perseverante especialmente nos momentos difíceis. O mais importante é viver como discípula de Jesus, depois disso todo o resto é fácil de administrar.

Ir. Irene: Qual motivo a levou a optar pela Congregação das IFST?
Ir. Rosmari: Desde criança eu tive contato com as Irmãs da Congregação Franciscana da Santíssima Trindade, pois tenho uma tia Ir. Clarice Biazus (falecida) nesta congregação e isto me fez estar sempre muito próxima e conhecer a vida das irmãs. Na minha infância e adolescência tive a oportunidade de conviver em algumas fraternidades e aqueles espaços, aquele jeito de viver ia me encantando. Neste período fui conhecendo mais a vida de São Francisco de Assis e este jeito de ser e viver tocava forte dentro de mim. Então senti forte o desejo de conhecer mais de perto e ingressei na congregação.

Ir. Irene: Como é viver (ser) como religiosa?
Ir. Rosmari: Ser religiosa é ser discípula missionária de Jesus. E nesta disposição de discípula vamos realizando a missão, o projeto que Deus tem para nós. É estar sempre em sintonia com Deus e perguntar-se diariamente “Senhor que queres que eu faça?”. Viver como religiosa implica aprofundar e ter presente os três aspectos que são as bases que sustentam a vida consagrada: a vida fraterna, a espiritualidade e a missão. Viver como religiosa é escutar o que o Senhor tem a nos dizer, discernir qual
a vontade d’Ele diante de muitos apelos e com alegria e disponibilidade, viver com simplicidade, com o necessário e com a partilha dos bens materiais e espirituais. Ser religiosa consagrada franciscana da Santíssima Trindade consiste em viver a espiritualidade de São Francisco e Santa Clara de Assis; testemunhar o amor de Deus Uno e Trino; anunciar a Boa Nova de Jesus Cristo e atender os mais necessitados.

Ir. Irene: Como ser religiosa em um mundo moderno?
Ir. Rosmari: A Vida Religiosa Consagrada tem sua razão de ser na missão que assume e no sinal de contradição que expressa pelo seu testemunho e opções. A missão concretiza-se no âmago da vida e da história, portanto, é imprescindível para pensá-la em sua dimensão profética e missionária, um olhar crítico-contemplativo sobre a realidade atual, da qual emergem os desafios e sinais dos tempos que a interpela hoje.
É nesta realidade que vivemos que precisamos ouvir, com o coração, o ecoar e os clamores de Deus no grito dos pobres e excluídos. Somos convidadas e convocadas a permanecer com os olhos fixos em Jesus e discernir dentre os clamores, causas e lugares emergentes quais são os mais urgentes e de acordo com nosso carisma congregacional e possibilidades abraçar com coragem esta realidade.
Como Irmãs Franciscanas da Santíssima Trindade somos convocadas a atuar nas regiões e realidade carentes sendo presença de Paz e Bem. Lembrando sempre do que nos disse nossa fundadora Madre Aloísia: “Nós, religiosas, não podemos ficar indiferentes diante de tanta gente que morre sem nenhum atendimento.”
Hoje, mais do que nunca, somos chamadas a ser sinal de esperança e testemunhar a alegria. Proclamar que Deus nos ama com amor eterno e terno e nos quer felizes e realizadas.

Ir. Irene: O que significa celebrar jubileu para ti?
Ir. Rosmari: Celebrar jubileu não significa apenas um contar de anos, mas um tempo propício para recordar a ação amorosa e providente de Deus Salvador na vida e na história de cada um de nós. Deus, em seu mistério de amor toma a iniciativa e chama: “Não foram vocês que me escolheram, mas fui eu que escolhi vocês.. Eu as destinei para ir e dar fruto, e para que o fruto de vocês permaneça.” Jo 15,16
Jubileu é um espaço para retomar a aliança e o diálogo inicial com Deus que nos chamou e consagrou a fim de revigorar nossa resposta. De pedir a graça de penetrar progressivamente na experiência da intimidade no mistério de Deus Trindade, que pelo dinamismo do Espírito nos revitaliza.
Celebrar 25 anos de Vida Consagrada é oportunidade para refletir, festejar e agradecer a Deus as maravilhas que realiza na minha vida. Tempo de agradecer a Deus que me chamou, acompanhou com sua graça e me guia sempre.
Neste tempo especial tenho presente no coração, todas as pessoas que, ao longo destes 25 anos de Vida Consagrada, foram fazendo parte da minha história e me acompanhando na caminhada.
Deus abençoe a todos!
 

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