A Com-Paixão no Olhar Teológico (Ir. Maria Aparecida Pires Vieira)
 
Jesus de Nazaré se identifica com o próximo, especialmente com os mais esquecidos da sociedade, ou seja, com os excluídos do sistema capitalista. Eles são os preferidos do Reino de Deus, não por serem os melhores, mas pela situação de risco que se encontram. Os verdadeiros profetas caminhavam na contra mão da história, anunciando e testemunhando os valores da vida, e denunciando as injustiças.
Javé viu a condição do seu povo e ouviu os seus clamores e disse “Eu vi muito bem a miséria do meu povo, que está no Egito. Ouvir os seus clamores contra os opressores, e conheço os seus sofrimentos. Por isso desci para libertá-los do poder dos egípcios” (Ex 3,7-8).
Os profetas, infatigáveis na sua ação, contrapunham aos valores da sociedade, clamam e convidam para a construção de novos céus e novas terras. Aliar-se a esse povo de Deus é deixar que o clamor penetre em nossas vidas e nos contagia pela Com-paixão, na luta pela dignidade dos nossos irmãos que são excluídos do sistema capitalista da nossa sociedade, aliar-se, significa penetrar em dimensões como: na luta política, social, econômica e eclesial, fortalecendo e renovando as nossas forças, no Deus da Aliança, em busca de novos projetos de vida, para a dignidade dos nossos irmãos menos favorecidos. ”Vendo as multidões, Jesus teve compaixão, porque estavam como ovelhas que não tem pastor” (MT 9,36). Viver A Com-paixão não é ter pena das pessoas que vivem na miséria, mas é sentir na pele a realidade que elas estão vivendo. Foi assim que Jesus de Nazaré viveu o sentido da Com-paixão durante a sua vida terrestre, frente à desigualdade da sociedade da sua época. Pensar na missão da teologia a partir do olhar da com-paixão de Deus, é um voltar às fontes, ou seja, as raízes das primeiras comunidades, que se solidarizava com os excluídos da sociedade da sua época, é um caminhar em direção ao amor fraterno e a solidariedade. Com isto, nos comprometemos com a revelação de novo céu e nova terra, aqui e agora, sendo presença do Cristo Ressuscitado dentro e fora da comunidade.